Talvez este seja o grande mal da juventude
Dar a ilusória sensação de que dispomos de todo o tempo necessário
De que podemos jogar com a efemeridade
Com movimentos
rápidos
leves
superficiais
Protegidos por uma bolha de eternidade
bolha essa incapaz de conter uma agulha
uma fagulha
Bradamos aos ventos
pelos tempos
“a intensidade cansa
e o cansaço amansa”
Certos de que não podemos nos deixar abater
permitir que a fugacidade de nossas paixões
a banalidade de nossas relações
a futilidade de nossas emoções
sejam corrompidas
sejam domadas por beijos que demandem uma longa troca de olhares
por amizades que tragam consigo a velha preocupação daqueles que se importam com algo além do seu bom e velho umbigo
por momentos densos que exijam mais alma, mais mente, mais tudo
A intensidade não cansa
não tanto quanto os jogos non-sense
aqueles nos quais se disputam sentimentos
pela hipocrisia
pelas comerciais idiossincrasias
pelo desejo da vitória
única
unilateral
solitária
Achamos que temos todo tempo necessário
que podemos viver amanhã de um modo menos medíocre
mas esquecemos que o necessário sempre demanda mais tempo do que temos
Sempre
INDICAÇÃO DE VÍDEO
Dor, prazer, necessidade, sofrimento, paz… enfim, uma performance que nos remete a um passeio pela vida.
(Homenagem a Kazuo Ohno)
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Tags: performance, tempo, vida
