Na sua infância
Pandora decorou seu quarto com sonhos
E lá eles permaneciam
Reluzindo a promessa de um grandioso amanhã!
.
Enfim o amanhã chegou com os ponteiros do relógio
E junto com ele a certeza de que promessas
Por mais sinceras que pareçam
Nascem para serem quebradas
.
Novas responsabilidades nasciam
Obrigações sociais
Indiferentes as suas dores, desejos e anseios
Como se o mundo escolhesse seu ‘eu’ numa vitrine
.
Os livros chegaram
Centenas e mais centenas de palavras
De um tecnicismo voltado a formar
Não mais que uma máquina de lucro
.
Os sonhos deram lugar aos livros
Já não vagavam pelo quarto
Foram para o armário
.
Depois deram lugar às contas
Já não repousavam no armário
Foram para a gaveta
.
Foi então que deram lugar as coisas de outra pessoa
Sendo arrancados da pequena gaveta
E enfim, encaixotados!
.
Assim Pandora levou suas horas
Seus dias
Sua vida
Até a chegada daquele conhecido momento
Do famoso instante em que nos pomos na balança
E tentamos entender
Pra onde a covardia nos levou
.
Desesperada, abriu caixas e mais caixas
Queria seus sonhos de volta
Queria a promessa daquilo que era pra ser
E tão pouco foi
.
A cada pacote errado rasgado
Eis que surgia a frustação
.
E quanto mais vã parecia a procura
Maior era o remorso do passado
.
O medo também surgiu
Pelo jeito, estaria condenada ao seu hoje
- Ah! Mais uma caixa vazia!
Até o fim
.
Aos poucos Pandora fora encontrando,
Fora libertando sentimentos desesperadores
.
Quando encontrou o papelão que encarcerava seus sonhos
Já era tarde
Eles já tinham se moldado à minúscula caixa
Não sabiam mais voar.
Publicado por oscarosse
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